O Anjo do Senhor

Por BILLY PAUL

Billy Paul

Quando eu era um garotinho, eu costumava vender livros para o meu pai nas campanhas de cura. Eu usava um avental carpenter em volta da minha cintura, e eu caminhava para cima e para baixo nos corredores, antes dos cultos, oferecendo para vender os três livretos que tínhamos na época, os quais eram: Não Fui Desobediente a Visão Celestial, Jesus Cristo é o Mesmo Ontem, Hoje e Para Sempre e Cura Divina Nas Campanhas Branham. O preço era de três por 20 centavos, e lembro de como me concentrava para dar o troco certo para as pessoas, e então balançando o meu pequeno livro recorde a cada noite.

Eu pensava que tinha a coisa mais importante do mundo e eu estava orgulhoso em saber que papai confiou em mim para fazer isto. Regularmente, um dos meus tios também viajava conosco, distribuindo os cartões de oração a cada noite para ajudar papai dentro e fora dos cultos. Eu especialmente gostava disto quando Donnie, o irmão mais novo de papai, que era somente oito anos mais velho do que eu, aparecia. Éramos ambos apenas garotos, tínhamos muito em comum e compartilhamos alguns grandes momentos juntos.

Nunca era costume de papai ficar em acomodações caras quando viajávamos, porém aquele foi especialmente o caso nos primeiros anos do ministério quando nossa escolha de alojamento seria mais bem descrita como sendo adequado, porém humilde.

Papai e eu passamos muitas, muitas noites juntos confinados nos quartos de hotéis, onde o banheiro não era em seu quarto, mas no fim do corredor. Aqueles foram tempos escabrosos, na maior parte, com exceção de um que foi extraordinário.

Estávamos em Vandália, Illinois, e eu tinha cerca de onze anos de idade. Papai, Donnie e eu estávamos todos dormindo numa cama num quarto minúsculo, e sendo o mais jovem, eu estava no meio.

Isto foi muito cedo de manhã, antes do amanhecer, quando papai me cutucou para me acordar. Ele estava segurando um travesseiro para cima perto do meu rosto, e quando ele se certificou de que eu estava totalmente acordado, ele começou a falar comigo em voz baixa.

“Billy”, ele disse, “sabe aquele Anjo do qual papai fala a respeito?”.

Eu o ouvi falar muitas vezes a respeito do Anjo que ficava atrás dele, então eu disse: “Sim, senhor”. “Ele está aqui”, ele continuou, “ele me visitou esta noite e me falou de coisas acerca das próximas reuniões. Ele ainda está neste quarto, bem agora, e perguntei-lhe se poderia deixar você e Donnie vê-LO. O Anjo me disse: ‘Você pode acordar o seu filho, Billy’”.

Ele acenou sua cabeça em direção a um canto do quarto onde eu sabia que havia um sanitário e um espelho, mas aquele local estava agora sendo bloqueado de minha visão pelo travesseiro.

Papai disse: “Ele está bem acima ali, próximo de onde está a bacia. Você gostaria de vê-LO?

Novamente eu disse: “Sim, senhor”.

Da primeira vez que eu tinha ouvido falar a respeito do Anjo que veio e falou com ele e que ficava atrás dele, eu havia me perguntado como o Anjo se parecia. Eu não sabia até que eu vi em nosso quarto aquela noite – eu pensava que fosse um ser transportado no ar com asas. Porém aquilo não foi daquela maneira.

Papai abaixou o travesseiro de modo que eu pudesse ver, e eu virei a minha cabeça em direção ao canto do quarto. Lá estava um homem vestido de branco. Cada detalhe de sua face e vestimenta era visível para mim, e no meu olho da mente, eu posso ver aqueles detalhes tão claramente hoje como eu os vi então.

Ele era um homem largo, pesando talvez 200 libras (90 Kg – NT), muito maior que meu pai, seu cabelo era bem escuro e pendia por sobre os seus ombros, tocando o manto que ele vestia, porém ele não tinha barba.

Sua compleição era agradável e suave, e a cor da sua pele era algo escuro, aproximadamente do tom de oliva. Mais tarde em minha vida, eu reconheci seus traços e cores como sendo característicos do povo armênio. Seus braços estavam cruzados em seu peito, e ele estava olhando diretamente para nós ali sobre a cama. Havia uma espécie de um olhar meigo em seus olhos que não posso descrever, e embora não tivesse dito nenhuma palavra para mim, eu percebi uma comunicação entre o Anjo e papai. Comecei a tremer. Papai pôs seu braço em volta de mim e disse: “Não tenha medo dele, filho. Ele tem sido enviado da Presença do Deus Todo-Poderoso”.

Com o braço de papai em volta de mim, eu continuei olhando diretamente para o Anjo, e após uns poucos minutos a forma de homem começou a se misturar para uma coluna de luz. A luz se tornou uma névoa da qual depois desapareceu do quarto. Em seu lugar pendia um arco-íris.

Quando Donnie se acordou pouco tempo depois, o arco-íris ainda estava visível no quarto, e juntos olhamos o raio de luz colorido à medida que ele pendia ali em nosso quarto por mais de duas horas.

Mais tarde, quando eu cresci, eu perguntei ao meu pai: “Por que o Anjo do Senhor me deixou vê-LO naquela noite?”

Nunca esquecerei sua resposta. Ele disse: “Porque Deus chamou você para trabalhar comigo, filho, e Ele quis se manifestar a si mesmo a você”. E eu sei que depois daquela noite em Vandalia, não importava onde estivéssemos, eu nunca tinha que esperar ouvir papai dizer: “Ele está aqui”. Eu sempre podia dizer quando aquela presença estava próxima.

E hoje, eu creio que o mesmo Anjo do Senhor está acampado ao redor daqueles que temem Seu nome.